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O FILME que explicou O FEIRAGUAY, A ALMA DE FEIRA

O episódio entrevista o professor Francisco, doutor em cinema e docente da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Cachoeira, que apresenta seu documentário feiraguay — uma obra sobre o feiraguay de Feira de Santana, Bahia.

Cinco pontos principais:

  1. Trajetória do diretor: Francisco cresceu em Feira de Santana nos anos 1990, foi formado pela cultura das locadoras de VHS e DVD, cursou Engenharia Química antes de migrar para o cinema, e trilhou mestrado, doutorado e carreira acadêmica em universidades federais do Nordeste e da Bahia.
  2. O feiraguay como herança cultural: O documentário defende a tese de que o feiraguay é herdeiro direto da feira livre tradicional que existia no centro da cidade até os anos 1970 — quando foi extinta por políticas de “higienização urbana” — e que guarda, em seus corredores, a lógica do encontro, da troca e da identidade feirense.
  3. Método de produção: A obra foi viabilizada por políticas públicas de incentivo ao audiovisual, exigiu pesquisa prévia e uso da estratégia de “uma pessoa levando à outra” para a seleção dos entrevistados, com apoio fundamental da associação de lojistas do feiraguay.
  4. Alcance e identificação: Exibido em festivais pelo Brasil, o filme gera identificação tanto em quem é de Feira de Santana quanto em quem nunca pisou na cidade — o humor e a humanidade dos personagens, especialmente os vendedores, funcionam como porta de entrada universal.
  5. Próximos passos: A equipe planeja exibições locais no SESC e em shoppings de Feira de Santana, e já tem em andamento o roteiro de uma ficção inspirada no universo do feiraguay, a ser submetida à Ancine para captação de recursos pelo Fundo Setorial do Audiovisual.

O episódio do podcast feirapod recebe o professor Francisco, cineasta e pesquisador feirense radicado em Cachoeira, para uma conversa sobre cinema, identidade urbana e o documentário feiraguay. A conversa percorre a formação cinéfila do diretor nas locadoras dos anos 90, sua trajetória acadêmica entre universidades federais e o impulso de retornar à cidade natal com um olhar investigativo sobre o feiraguay — o popular centro comercial que, para Francisco, sintetiza a alma de Feira de Santana: caótico, acolhedor, contraditório e insubstituível.

Mais do que um retrato do comércio popular, o documentário propõe uma leitura histórica e afetiva da cidade, argumentando que o feiraguay é o remanescente vivo da grande feira livre que existia no centro até os anos 1970. Para Francisco, fazer cinema em Feira de Santana é um ato político de construção de olhares — mostrar que a cidade, apesar de suas contradições, é bonita justamente naquilo que a incomoda. O episódio termina com o diretor revelando os planos de uma ficção ambientada no feiraguay e o desejo de ver o documentário em cartaz nos shoppings da cidade.

CAPÍTULOS

00:00 O Feiraguay explica a alma de Feira
01:37 O cineasta por trás do documentário
02:21 Como as locadoras formaram uma geração
05:20 A infância feirense e o nascimento do Feiraguay
07:59 O Feiraguay como identidade cultural
10:21 A origem e transformação do Feiraguay
12:07 O centro comercial que virou símbolo da cidade
13:15 A antiga feira livre que moldou Feira
14:20 O Feiraguay como herdeiro da feira popular
15:23 O Feiraguay no imaginário do Brasil
19:55 Como nasceu o documentário
21:16 Os personagens reais do Feiraguay
23:04 O caos e a oralidade do Feiraguay
24:14 O filme que fala sobre Feira através do Feiraguay
25:15 As exibições e festivais do filme
27:42 O sonho de um cinema público em Feira
30:23 Por que todo mundo entende audiovisual hoje
32:01 Os bastidores das gravações no Feiraguay
33:56 Os personagens mais marcantes do filme
35:16 A chegada dos chineses ao Feiraguay
38:45 As referências cinematográficas do documentário
40:38 O filme que resgata a identidade feirense
44:17 “Quem vem a Feira precisa passar no Feiraguay”
45:12 O próximo passo: transformar em ficção
46:37 Mostrar a beleza de Feira nas contradições
47:22 “Se existe, tem no Feiraguay”

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